Por SoggyMog
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em Musings of an intrigued nobody
Estive pensando muito ultimamente sobre a questão do respeito que rodeia crenças religiosas. Fiquei um pouco horrificado no Natal quando fiquei sabendo que seis membros da minha família – meus pais, ambos meus irmãos, uma tia e um tio – todos consideram que eu demonstro desrespeito bruto com pessoas religiosas quando digo que suas superstições são besteiras. Um comentário particularmente chocante veio de um de meus irmãos:
Irmão: “Você não pode respeitar pessoas se você não respeitar suas crenças.”
Pai: “Ele está certo, Lu.”Para deixar claro, meus pais e meu irmão também não são crentes. Estou menos certo sobre meus tios, mas se eles tem crenças religiosas de qualquer tipo nunca vi um indicativo disso.
Esta questão de respeito é uma que aparece persistentemente e eu considero as atitudes de outros não-crentes absolutamente desconcertante – muito mais incompreensível que a raiva que eu as vezes recebo de crentes. Como eu vejo, existem dois problemas com esta idéia de que não-crentes deveriam simplesmente calar a boca e deixar que as pessoas acreditem no que elas quiserem.
1: Tipicamente não são os não-crentes fazendo esse caso quem sofrem pelo lugar privilegiado que a religião tem no mundo. Meu irmão não está em perigo de perder a vida enquanto escolhe viver uma vida do jeito que vive; outras pessoas – particularmente mulheres, gays e ateístas infelizes o suficiente para viver em nações dominadas pela religião – que enfrentam perigos reais e sofrem abusos reais vindos diretamente da religião.
2: É profundamente condescendente para pessoas religiosas adotar uma visão de que enquanto sabemos mais, a massa supersticiosa precisa do conforto da religião. Eu acho um pouco nauseante me dizerem que eu deveria evitar desafiar um adulto mentalmente competente sobre suas crenças, como se para eles faltasse a inteligência para pensar logicamente ou a resistência ao impacto emocional de um argumento racional. E aparentemente só é o caso com crenças religiosas; ninguém exige que eu evite questionar ideologias políticas, opiniões filosóficas, decisões éticas (a não ser motivadas por religião!) ou qualquer outra coisa. Eu acho que seria desrespeitoso – sem mencionar potencialmente perigoso – não dar a minha opinião honesta sobre as crenças de uma pessoa. Eu iria tão longe quanto dizer que enquanto fingem respeitar as crenças religiosas de alguém, não-crentes demonstram um desrespeito de tirar o fôlego quanto ao intelecto das pessoas que creem.
Essa noção de que mesmo aqueles que não tem crenças religiosas deveriam de qualquer maneira respeitá-las é a coisa singular mais perigosa sobre religião. Isso faz com que pessoas liberais bem-intencionadas vivendo em segurança em nações seculares concedam importância maior às sensibilidades feridas de um homem Muçulmano do que a opressão, o abuso rotineiro, mutilação e assassinato de milhões de mulheres sob a mãos de sua fé. Isso coloca a crenças infundadas do lobby “pró-vida” motivado pela religião (mais precisamente, anti-escolha) por cima da vida de Savita Halapannavar, que morreu na Irlanda depois de ter negada um aborto medicinalmente necessário porque uma religião a qual ela não se inscreveu proibia. Isso diz que um pai religioso que seu desejo de enviar seu filho à uma escola religiosa é mais importante que o direito que a criança tem de ter uma educação decente e não sofrer trauma psicológico na forma de ameaças horrorosas e culpa desnecessária por “pecados” imaginários.
Se você argumenta que pessoas como eu mostrem “respeito” para com pessoas religiosas evitando a crítica de suas crenças, você não está apenas patrocinando e desmerecendo pessoas religiosas… você também está dizendo que o desejo de uma pessoa não ter seus sentimentos feridos tem precedência em cima dos direitos de inúmeros outros de viverem suas vidas livres da ameaça ou da realidade de violência, abuso, opressão e miséria. Isso é um princípio tão anti-liberal o quanto eu consigo imaginar.
Minha família e outros vivendo livres das regras do dogma religioso estão em uma posição tremendamente privilegiada, inimaginável para milhões de outras no mundo que não podem falar contra as violações que seus direitos. Não apenas eu não tenho todo o direito de desafiar crenças e práticas religiosas – eu acho que tenho o dever.




























