por Clive Thompson
tradução por Alexandre Schulter
Publicado em richarddawkins.net
Originalmente publicado em wired.com em 23 de Outubro de 2007.
Criacionistas e impulsionadores do projeto inteligente tem uma tática de guerrilha para degradar livros-texto que não se dão com suas crenças. Eles estampam um adesivo na capa que diz: EVOLUÇÃO É UMA TEORIA, NÃO UM FATO, ACERCA DA ORIGEM DAS COISAS VIVAS.
Esse é o argumento central dos negadores da evolução. Evolução é uma “teoria” não provada. Para pessoas entendidas de ciência, essa é uma manobra incrivelmente irritante. Enquanto é verdade que cientistas se referem à evolução como uma teoria, na ciência a palavra “teoria” significa uma explicação de como o mundo funciona que enfrentou repetidos e rigorosos testes. Não é um termo nem um pouco depreciativo.
Mas para a maior parte das pessoas, teoria significa uma suposição casual que você tirou de seu, err, chapéu. É um insulto, realmente, uma maneira lisonjeira de descartar um ponto de vista: “Ah, bom, é apenas uma teoria.” Cientistas usam “teoria” de uma maneira específica, o público de outra – e os oponentes da evolução tem habilmente se aproveitado dessa desconexão.
No final de contas a guerra de cultura real na ciência não é sobre ciência – é sobre linguagem. E para lutar nessa guerra, precisamos mudar o jeito que falamos sobre conhecimento científico.
Cientistas já estão ponderando isso. No último verão, a física Helen Quinn causou um debate vívido entre seus colegas com uma resenha para a Physics Today argumentando que cientistas são muito tentativos quando discutem conhecimento científico. Eles são um bando inerentemente cuidadoso, ela aponta. Mesmo quando estão 99% certos de uma teoria, eles sabem que sempre há a possibilidade que uma nova descoberta possa subverter ou modificar ela.
Então quando cientistas falam sobre um massa de conhecimento bem estabelecido – particularmente em áreas como evolução e relatividade – eles resguardam suas apostas. Eles dizem que “acreditam” que alguma coisa seja verdade, como em “Nós acreditamos que o período Jurássico foi caracterizado por um clima tropical húmido.”
Essa nuância deliberada de linguagem é terrivelmente mal-entendida e com frequência distorcido no discurso público. Quando a pessoa comum escuta frases como “cientistas acreditam,” eles lêem isso como, “Cientistas não podem realmente provar essa coisa, mas podem botar fé.” (”Isso é apenas o que você acredita” é outra maneira estilosa de descartar alguém.)
É claro que expedicionários antievolucionistas descobriram que linguagem é a munição da guerra cultural. É por isso que eles usam aqueles adesivos. Eles usam as forças intelectuais da linguagem científica – sua precisão, sua cautela – e empunham elas como armas contra a própria ciência.
A defesa contra isso é: um dicionário científico renovado. Se os antievolucionistas insistem em se aproveitar do mal-entendimento público de palavras como “teoria” e “crença”, então não temos de lutar com isso. “Precisamos ser um pouco menos cautelosos em público quando estamos falando de conclusões científicas que são geralmente aceitas,” diz Quinn.
O quê ela sugere? Para uma ciência verdadeiramente sólida e bem-estabelecida, vamos parar totalmente de usar a palavra teoria. Ao invés disso, vamos ressuscitar linguagem muito mais venerável e nos referir a tal conhecimento como “lei”. Como a lei da gravidade de Newton, as pessoas entendem intuitivamente que uma lei é uma regra que se firma verdadeira e deve ser obedecida. A palavra lei convenciona precisamente o senso de autoridade com o público como a palavra teoria com os cientistas, mas sem a bagagem linguística.
Evolução é supersólida. Nós até baseamos a indústria da vacina sobre ela: quando entramos no consultório do médico no inverno para tomar uma vacina contra gripe – uma inoculação contra os últimos avanços evoluídos da doença – estamos tratando evolução como uma lei. Então porque não falar “a lei da evolução”?
E o melhor de tudo é que isso desempenha um hábil golpe de jiu-jitsu linguístico. Se alguém diz “Eu não acredito em teoria de evolução,” eles podem dizer que é razoável. Mas se alguém anuncia, “Eu não acredito na lei da evolução,” eles soam insanos. É o mesmo que dizer, “Eu não acredito na lei da gravidade.”
É hora de reconhecer que nós simplesmente nunca ensinaremos o suficiente ao público sobre o preciso significado de certas palavras. Nós nunca seremos totalmente capazes de comunicar o que é belo e nobre sobre cautela e rigor científico. Discurso público é inevitavelmente político, então precisamos conversar sobre ciência de uma maneira que ganha a batalha política – não em temos incertos.
Ao menos essa é minha teoria.
Olá, boa noite eu tive uma ótima oportunidade de ler esse artigo e concordo com a doutora Helen Quin, a palavra teoria, soa como algo sem muita importância, sem estudo cientifico algum, e muitas vezes essas pesquisas, tem um grau de importância tão grande, que muitas vezes, não são levadas à sério, se é para o bem da Ciência e dos cientistas, que dela vivem, que teoria seja abolida e substituída por lei, assim qualquer estudo cientifico, com seu real valor será reconhecido, ass Patricia.
Comentário por Patricia Cardoso Pereira — Agosto 10, 2008 @ 10:39 pm