Alexandre Schulter

abril 7, 2011

Como fazer sistemas

Filed under: Computação — alxnd @ 11:41 am

Como me ensinaram a fazer software 10 anos atrás
– Use RUP
– Faça um diagrama bonito pra cada pedaço de código
– O mundo é lindo e ideal

Como minha empresa me diz pra fazer
– Use nosso processo de desenvolvimento
– Não use nosso processo de desenvolvimento
– Se vira, meu filho

Como fazemos de fato
Programming, motherfucker!

setembro 2, 2010

A reviravolta na homeopatia se torna global

Filed under: Ciência — alxnd @ 11:16 am

Publicado originalmente em Livescience
Por Christopher Wanjek, da coluna Bad Medicine
Tradução por Alexandre Schulter

argent

Quanto uma pílula de açúcar é mortal? Quando é substituída por medicina real, concluem os japoneses.

O Governo Japonês está investigando uma série de mortes que ocorreram no último ano resultando da prática da homeopatia, a qual tem crescido na popularidade, particularmente entre parteiras. Várias ações na justiça estão pendentes.

Entre os mortos está um bebê de 2 meses que nasceu com deficiência de vitamina K e sua parteira administrou tratamento homeopático ao invés da muito necessária injeção de vitamina K, conhecida por evitar hemorragia. A criança morreu por causa de um sangramento no crânio.

À medida que os casos vêm a tona, o melhor grupo de ciência do país, o Conselho de Ciência do Japão, entrou na discussão e seu presidente, Ichiro Kanazawa, declarou que “o valor terapêutico da homeopatia já foi cientificamente e totalmente refutado.”

O Japão logo se juntará à Suiça e à Alemanha, governos dos quais concluíram que a homeopatia é ineficaz; planos de saúde nacionais não mais reembolsam tratamentos homeopáticos nesses países. (Ironicamente, homeopatia surgiu na Alemanha 200 anos atrás.)

Outras nações européias seguirão o caminho também. Depois de um relatório devastador sobre homeopatia feito pelo Comitê de Ciência e Tecnologia do Reino Unido em Fevereiro de 2010, a associação médica britânica em agosto requisitou que o serviço de saúde britânico recuse pagamentos para homeopatia, que elimine financiamento a hospitais homeopáticos e que instrua médicos a não prescrever, referenciar ou recomendar homeopatia a pacientes.

Natural ou sobrenatural

Isso é a grande medicina batendo em cima do pequeno praticante de ervas? De forma alguma. Um grande erro é achar que homeopatia é tratamento de ervas. Ervas tem valor terapêutico. Homeopatia, no entanto, é livre de ervas ou qualquer coisa medicinal.

Remédios homeopáticos podem começar com uma erva ou mineral. Oscillococcinum, o mais utilizado remédio homeopático para gripe, começa com fígado de pato. Remédios são diluídos de 10 ou 100 partes de água vez após vez, baseado em receitas com séculos de idade, até que qualquer traço do ingrediente original esteja presente.

O segundo grande erro é que pílulas homeopáticas contém concentrações de medicina. Frequentemente a mídia usa as palavras “altamente diluído” quando na verdade homeopatia é apenas altamente iludida.

Oscillococcinum, por exemplo, tem uma concentração 200C: uma parte de miúdo de pato foi misturada com 100 (“C”) partes de água; esta solução foi adicionada de mais água na taxa 1-100; e o processo foi repetido outras 199 vezes. No final, há uma parte de pato em 100 elevado à ducentésima potência (ou 1 seguido de 400 zeros) partes de água.

Você fica apenas com água. Até as medicinas mais “concentradas” – 24X – se resumem a uma pitada de medicina esparramada no Oceano Atlântico.

Praticantes de homeopatia não negam esse pequeno desacordo com a física. Homeopatia foi desenvolvida antes dos conceitos problemáticos de átomos e moléculas surgirem. O argumento agora é que soluções homeopáticas transformadas em pílulas de açúcar lembram o formato da medicina que uma vez elas continham.

Obviamente isso viola a realidade. Uma molécula de água é distorcida por outras moléculas de água por meros picosegundos antes de voltar ao normal; não existe memória na água. Se isso fosse o caso, toda a água do planeta seria um tratamento homeopático para todo mal, porque uma vez ela tocou toda erva, mineral ou fígado de animal da prateleira homeopática.

Você tem tratamento homeopático para envenenamento alimentar (arsênico 24X) saindo da sua torneira, desde que você dilua um pouco com água pura.

Prova ou placebo

Vários estudos mostram como a homeopatia pode funcionar; muitos mostram como reza e cura psíquica podem funcionar também. Homeopatia é bem eficaz em problemas que passam com o tempo, como diarréia e gripe.

Como documentado no relatório citado anteriormente, homeopatia fica cada vez menos eficaz a media que os estudos ficam melhores. Esse mesmo sentimento é suportado pelas análises abrangentes dos médicos da Suiça e Alemanha e agora também pelo Centro Nacional da Medicina Complementar e Alternativa dos EUA, uma vez liderado por um homeopata, o qual hoje conclui que há pouca evidência que valide homeopatia para qualquer coisa.

Ao contrário de muitas áreas da medicina alternativa, dominada por malucos e fraudes, homeopatia tende a atrair praticantes de saúde inteligentes que realmente acreditam na eficácia dos tratamentos. Talvez homeopatia é um placebo eficaz. Nesse caso, se você quiser que suas pílulas de açúcar funcionem, esquecam que leram este artigo.

Mas, por favor, não usem homeopatia no seu bebê.

março 13, 2009

Manifesto a favor da orientação a objetos

Ando muito insatisfeito por ter que abrir mão do paradigma orientado a objetos (OO). Não é um caso das segundas-feiras e também não é uma crise existencial causada pelo tipo mais chato possível de software que alguém poderia trabalhar com: sistemas de informação.

O problema é que a empresa onde trabalho insiste em fazer sistemas procedurais, o que é esquisito, já que o termo “orientação a objetos” é citado em e-mails, declarações de escopo e reuniões com nossos clientes. Nossa própria metodologia de desenvolvimento não faz sentido para o paradigma procedural. Será meu trabalho um grande faz-de-conta?

Vejam só: um objeto, no paradigma OO, é algo que tem estado e comportamento. Qualquer modelo de classes de domínio de qualquer projeto daqui não tem comportamento.

Sem atribuição de responsabilidades aos objetos, a modelagem é banal. Se fôssemos dar nomes às associações nesses modelos, todas elas se chamariam “Contém”. Dificilmente vai além disso. Objetos contém outros objetos e esses contém outros e assim por diante. No final é um diagrama que serve apenas para mapear um banco de dados e não é um modelo OO que abstrai de forma elegante um problema do mundo real. Esses modelos são conhecidos como Anêmicos na comunidade de desenvolvimento.

Se o comportamento não está em nossos objetos, está onde? Estamos implementando rotinas em camadas de serviço e em pretensiosos Business “Objects”. Estamos entrincheirados em um mundo de processamento de dados, sem conseguir enxergar a realidade. Nem os nomes dessas rotinas tentam esconder a sua natureza, como os muito comuns “pesquisar()”, “processar()”, executarRegraNumeroX()”, etc. Para fazermos OO, precisaríamos de métodos e não rotinas, precisaríamos de mensagens e não chamadas, atributos e não campos.

A maioria dos padrões de projeto OO, como os do GRASP e do GoF, simplesmente não são aplicáveis nos nossos modelos de negócio. Chega a ser cômico.

Mas alguém poderia argumentar que o paradigma estruturado/procedural é melhor para sistemas como os nossos. Nesse caso eu teria que discordar. Orientação a objetos surgiu para resolver o problema da complexidade. E a complexidade dos sistemas geralmente aumenta mais que o seu tamanho. Polimorfismo, herança e encapsulamento tanto de dados quanto de comportamento são artificíos da orientação a objetos que servem justamente para lidar com a complexidade. E isso é algo desejável em projetos grandes e com prazos apertados como os nossos. Fora que ainda não vi nenhum projeto aqui onde o processamento dos dados fosse um desafio maior que os complicados relacionamentos entre os inúmeras entidades de negócio dos clientes.

Segundo Chris Richardson, em seu livro POJOs in Action, quandos algum dos seguintes casos for verdadeiro, a lógica de negócios poderia ser escrita de forma procedural: quando a equipe do projeto não tem as habilidades necessárias para projetar OO, quando as regras de negócio são muito simples e quando não se está usando um framework de persistência.

Se for o caso de continuarmos fazendo sistemas desta maneira, então ao menos deveríamos adotar as técnicas apropriadas. Análise e Projeto OO, como sugerido pela nossa metodologia, poderia ser substituída por Análise Estruturada. Afinal, diagramas de sequência da UML são úteis para distribuir responsabilidades em um domínio de objetos e não descrever processamento de dados, algo que DFDs, DDs, DERs e DTEs da Análise Estruturada supostamente fazem melhor.

Não é particularmente horrível criarmos sistemas procedurais, tanto que funcionam e são uma constante no mundo JavaEE. Todos os garotos legais estão fazendo isso. Apesar de que seria menos chato se fizéssemos OO. Com EJB2 nem dava pra tentar fazer diferente. Mas esse cenário está mudando, tanto que os objetos no EJB 3.0 passaram a ser POJO e, sendo assim, podem ser usados para criar modelos ricos OO. Impecilho técnico não existe. O problema é cultural.

dezembro 22, 2008

12 motivos porque software é diferente

Filed under: Computação — Tags:, , — alxnd @ 10:02 am

Uma síntese de um cap. do livro “Why Software Projects Fail” (Stepanek). Por quê software é intrinsicamente diferente de outros tipos de empreitadas humanas?

1. Software é complexo. Apesar de técnicas como encapsulamento, a complexidade de um sistema aumenta mais que o seu tamanho.

2. Software é abstrato. Não se pode tocá-lo. Qualquer mapa ou representação gráfica abstrai detalhes. Só se pode especificá-lo com exatidão a não ser ao nível de instruções individuais. Ninguém consegue mentalizar 100.000 instruções ao mesmo tempo. É por isso que xadrez é difícil: um movimento de uma peça é simples, mas não faz sentido, só o todo faz sentido.

3. Requisitos são incompletos. Se software é abstrato, um conjunto de requisitos é mais abstrato ainda. Tanto os desenvolvedores quanto os clientes só vão entender os requisitos durante o desenvolvimento, e não antes. “Saberei o que quero quando vê-lo.”
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maio 12, 2008

Controvérsia Fabricada: A arte de criar controvérsia onde nenhuma existiu

Filed under: Ciência — Tags:, , , , — alxnd @ 2:23 pm

Por Leah Ceccarelli
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em Science Progress

Com todo o sofismo sofisticado cercando o público hoje em dia, há uma necessidade de se estudar retórica agora mais que nunca antes. Isso é especialmente o caso quando estamos falando do ataque contemporâneo à ciência conhecido como controvérsia fabricada: quando discordância significativa não existe dentro da comunidade científica, mas é inventada com sucesso para uma audiência para alcançar fins políticos específicos.
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fevereiro 7, 2008

Quando os grandes craques da ciência mundial mudam de idéias

Filed under: Ciência — Tags: — alxnd @ 10:12 am

Por Ana Gerschenfeld
Originalmente publicado em Publico 14 Jan 2008 Edição Lisboa

Cento e sessenta e cinco eméritos pensadores, investigadores, comunicadores responderam ao apelo anual do site edge.org e à seguinte pergunta: “O que é que já o fez mudar de opinião? Porquê?”

Da física das partículas à teoria da evolução, da bomba atómica ao aquecimento global, da guerra dos sexos à igualdade dos seres humanos, de Deus ao paranormal e até ao dogmatismo dos próprios cientistas, dezenas de grandes craques mundiais explicam online, neste início de 2008, o que consideram ter sido o seu maior erro de avaliação ao longo da sua vida. A iniciativa é do site www.edge.org, uma espécie de think tank informal, de fórum de ideias e debates científicos (ver artigo ao lado), que instaurou estas perguntas como prática anual e que a seguir irá publicar o resultado sob forma de livro.

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janeiro 30, 2008

Uso de ferramentas é só um truque da mente

Filed under: Ciência — Tags:, , — alxnd @ 10:49 am

Por Michael Balter
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em ScienceNOW Daily News

Não tome por certo aquele martelo. Usar ferramentas pode parecer de natureza secundária, mas apenas poucos animais conseguem dominar a coordenação e a sofisticação mental requerida. Então como os primatas aprenderam a usar ferramentas em primeiro lugar? Um novo estudo sugere que o truque do cérebro é tratar ferramentas como se fossem outra parte do corpo.

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dezembro 27, 2007

Novo periódico tem como alvo a educação de evolução

Filed under: Ciência — Tags:, , , — alxnd @ 1:55 pm

Por John Timmer
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em ars technica

Princípios evolucionários impactam nosso entendimento sobre tudo desde câncer, passando por drogas e resistência a pesticidas, até gerenciamento do ambiente para manter a biodiversidade. Mas o público dos EUA entende evolução mal e a mera presença do tópico na educação pública de ciência tem causado controvérsia. Um novo periódico, Evolution: Education and Outreach (Evolução: Educação e Alcance), foi estabelecido com a intenção de melhorar a educação sobre o tópico fazendo com que cientistas e professores discutam problemas e planos de estudo relacionados à evolução. O periódico acabou de lançar sua primeira edição e todo o conteúdo está com acesso livre.

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dezembro 19, 2007

Leis da natureza, fonte desconhecida

Por Dennis Overbye
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em NY Times em 18 de Dezembro de 2007

“Gravidade,” diz o slogan em posters e adesivos. “Não é apenas uma boa idéia. É a lei.”

E que lei. Diferente de, digamos, leis de trânsito, você não tem escolha sobre obedecer a gravidade ou qualquer das outras leis da física. Pule e você voltará pra baixo. Fé ou boas intenções não tem nada a ver com isso.

Existência não deveria ser assim, como Einstein nos lembrou disso, “A coisa mais incompreensível sobre o universo é que ele é compreensível.” Contra todas as probabilidades, nós podemos mandar um e-mail para o Sri Lanka, passar uma nave espacial pelos anéis de Saturno, tomar uma pílula contra depressão, assar um perú ou um sufflé e matar uma cestinha do escanteio.

Sim, é um universo cheio de leis. Mas que tipo de leis são essas, afinal, que podem estar inscritas em uma camiseta mas aparentemente não em uma pedra que algum dia poderemos achar?

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dezembro 11, 2007

Porque a ciência só triunfará quando teoria se tornar lei

Filed under: Ciência — Tags:, , , — alxnd @ 4:57 pm

por Clive Thompson
tradução por Alexandre Schulter

Publicado em richarddawkins.net
Originalmente publicado em wired.com em 23 de Outubro de 2007.

Criacionistas e impulsionadores do projeto inteligente tem uma tática de guerrilha para degradar livros-texto que não se dão com suas crenças. Eles estampam um adesivo na capa que diz: EVOLUÇÃO É UMA TEORIA, NÃO UM FATO, ACERCA DA ORIGEM DAS COISAS VIVAS.
Esse é o argumento central dos negadores da evolução. Evolução é uma “teoria” não provada. Para pessoas entendidas de ciência, essa é uma manobra incrivelmente irritante. Enquanto é verdade que cientistas se referem à evolução como uma teoria, na ciência a palavra “teoria” significa uma explicação de como o mundo funciona que enfrentou repetidos e rigorosos testes. Não é um termo nem um pouco depreciativo.
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Tema: Shocking Blue Green. Blog no WordPress.com.

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