Por Christopher Hitchens
Tradução por Alexandre Schulter
Originalmente publicado em Council for Secular Humanism
Uma questão que me interessa muito (e sempre interessou) é essa: eu sei que não acredito tanto em qualquer deus quanto qualquer religião e eu posso dar razões de uma maneira que o outro lado pode ao menos entender, mas pode o mesmo ser dito daqueles que alegam acreditar de fato? Uma maneira mais breve de colocar isso é perguntar se nossos antagonistas nesse argumento antigo verdadeiramente querem dizer o que aparentemente estão dizendo.
A recente descoberta que Madre Teresa ficou por quase meio século sem poder sentir a presença de Cristo na Eucaristia ou o ouvido de Deus escutando suas preces, é de grande importância aqui. (Veja o livro recente sobre suas cartas desesperadoras, Mother Teresa: Come Be My Light.) Nem ao menos seus admiradores mais ferventes consideravam essa mulher em sentido algum como uma intelectual, e ela evidentemente lutou para combater suas dúvidas de uma maneira altamente tradicional, isto é, fazendo profissões de ‘fé’ cada vez mais extravagantes e masoquistas. Isso seria uma soberba confirmação da hipótese de Daniel Dennett sobre ‘crença na crença’ – a idéia estranha que, apesar que a fé pode ser ridícula e incoerente, a mera asserção dela pode possuir algumas virtudes próprias.