Alexandre Schulter

Ceticismo, secularismo, ateísmo

O que é Ceticismo?

Carl Sagan foi um dos maiores divulgadores da virtude cética e talvez o maior popularizador da ciência até hoje. Por isso, deixo que ele responda esta questão:

Ceticismo não é nada muito esotérico. Você encontra isso todo dia. Quando compramos um carro usado, se somos um mínimo espertos vamos externar poderes céticos residuais – qualquer que nossa educação tenha nos deixado. Você poderia dizer: ‘Ele é um camarada que parece honesto. Pegarei qualquer coisa que ele me oferecer.’ Ou poderia dizer, ‘Bem, ouvi dizer que ocasionalmente há algumas decepções envolvidas na venda de um carro usado, talvez inadvertido da parte do vendedor,’ e então você faz algo. Você chuta os pneus, você abre as portas, você olha debaixo do capô. (Você poderia continuar com isso mesmo sem saber o que supostamente deveria estar debaixo do capô ou você poderia chamar um amigo entendido de mecânica.) Você sabe que algum ceticismo é requerido e você sabe por quê. Incomoda se você não concordar com o vendedor de carros usados ou fazer questões que ele é relutante em responder. Há no mínimo um pequeno grau de confronto interpessoal envolvido na compra do carro usado e ninguém afirma que isso é prazeroso. Mas há um bom motivo pra isso – porque se você não exercer um ceticismo mínimo, se você tem uma credulidade absolutamente desempedida, há provavelmente um preço a ser pago posteriormente. Daí você desejará ter feito um pequeno investimento de ceticismo antes. [1]

Até mesmo a adoção de uma religião pode ser considerada um ato de ceticismo, segundo Sagan, já que a pessoa pode estar demonstrando insatisfação e questionando sua condição atual e achar sua resposta em outro lugar. Pessoas não são estúpidas, elas acreditam em certas coisas por algum motivo – geralmente por causa de tradição, autoridade ou revelação, segundo Richard Dawkins – e o que difere esse tipo de ceticismo do ceticismo característico do método científico são as evidências. O dogma religioso, assim como o dogma social do comunismo e dogma racial do nazismo é caracterizado pela inexistência de bons motivos para acreditar nele e a existência de evidências contra.

O ceticismo científico tende a ser positivo. O ceticismo em geral, quando exercido pela população, também pode gerar resultados positivos – apesar de parecer às vezes “perigoso”:

Nós sabemos como cruel a verdade às vezes é, e pensamos se a ilusão não seria mais consoladora. (…) não acho que essa seja a única razão para a credulidade ser exuberante. O ceticismo desafia instituições estabelecidas. Se nós a ensinarmos a todo mundo, digamos estudantes de colegial, o hábito de ser cético, talvez eles não restringirão seu ceticismo à comerciais de aspirina e médiuns. Talvez eles começarão a fazer perguntas esquisitas sobre instituições econômicas, sociais, políticas e religiosas. Então onde estaremos?

(…)

Ceticismo é perigoso. Essa exatamente é sua função, na minha visão. É o papel do ceticismo ser perigoso. E é por isso que existe uma grande relutância em ensiná-lo em escolas. É por isso que você não encontra uma fluência geral em ceticismo na mídia. Por outro lado, como vamos negociar um futuro arriscado se não tivermos as ferramentas intelectuais elementares para fazer perguntas àqueles nominalmente no comando, especialmente em uma democracia? [1]

O pensamento cético organizado está por trás do método científico. A compreensão pública da ciência, segundo Sagan, tem um papel fundamental na prosperidade do país onde ele viveu. De certa forma também vale para o Brasil:

Existe uma razão pelo qual penso que a popularização da ciência é importante, porque tento fazer isso. É um presságio que tenho da América na geração dos meus filhos, ou na geração dos meus netos, quando toda a indústria de fabricação escapou para outros países; quando somos um serviço e uma economia de processamento de informação; quando incríveis poderes tecnológicos estão nas mãos de alguns poucos e ninguém representando o interesse público sequer tem noção dos problemas; quando as pessoas (por ‘pessoas’ quero dizer a população em geral em uma democracia) perderam a habilidade de criar seus próprios planos de trabalho, ou mesmo de questionar aqueles que criam os planos; quando não há a prática de questionar aqueles que estão em autoridade; quando, agarrando nossos cristais e religiosamente consultando nossos horóscopos, nossas faculdades críticas em declínio íngreme, sem capacidade de distinguir o que é verdade do que parece bom, nós deslizamos, quase sem notar, para a superstição e a escuridão.

Nós temos uma civilização baseada em ciência e tecnologia e arranjamos as coisas de forma que quase ninguém entende ciência e tecnologia. Essa é a mais clara receita para o desastre que você pode imaginar. Apesar de podermos ter sucesso por um certo tempo com essa mistura inflamável de ignorância e poder, cedo ou tarde vai explodir em nossa faces. Os poderes da tecnologia moderna são tão formidáveis que é insuficiente apenas dizer, ‘Bem, aqueles no poder, tenho certeza, estão fazendo um bom trabalho.’ Essa é uma democracia e para nós termos certeza que os poderes da ciência e tecnologia são utilizadas apropriadamente e prudentemente, nós mesmo devemos entender ciência e tecnologia. [2]

Para os céticos, Sagan deixa uma mensagem:

Nossa cultura de um lado produz descobertas fantásticas da ciência e de outro as corta antes que alcancem a pessoa comum. Então as pessoas curiosas, inteligentes, dedicadas a entender o mundo, podem todavia ser tentadas pela superstição e pseudociência.

A maneira menos eficaz para os céticos obterem a atenção dessas pessoas brilhantes, curiosas e interessadas é depreciar, ou condescender, ou mostrar arrogância para com suas crenças. Elas podem ser crédulas, mas não são burras. Se levarmos em consideração a fraqueza e falibilidade humana, iremos entender suas condições.

(…)

Uma grande deficiência que vejo no movimento cético é sua polarização: Nós vs. Eles – o sentimento que temos um monopólio da verdade; que aquelas outras pessoas que acreditam em todas essas doutrinas estúpidas são idiotas; que se você é sensível, você nos escutará; e se não, que vá para o inferno. Isso não é construtivo. Não transmite a sua mensagem. Nos condena ao status minoritário permanente. Ao passo que uma abordagem que do início reconhece as raízes humanas da pseudociência e superstição, que reconhece que a sociedade organizou as coisas de forma que o ceticismo não seja bem ensinado, possa ser mais amplamente aceita. [2]

Referências
[1] Carl Sagan. The Burden of Skepticism. Skeptical Inquirer, vol. 12, Fall 1987. Tradução: Alexandre Schulter
[2] Carl Sagan. Wonder and Skepticism. Skeptical Inquirer. Volume 19, Issue 1, January-February 1995. Tradução: Alexandre Schulter

O que é Naturalismo?

O médoto científico e o questionamento cético recentemente trouxeram a humanidade a um estágio onde dogmas não têm nada muito útil a dizer sobre coisa alguma. Um ponto de vista sobre a vida que faz sentido em relação ao conjunto de evidências que existem hoje é o naturalismo:

Naturalismo, em essência, é a idéia que seres humanos estão completamente incluídos no mundo natural: não há nada sobrenatural sobre nós. Naturalismo é baseado na ciência como a melhor e mais confiável maneira de descobrir o que existe. A ciência mostra que todo aspecto de um ser humano vem do mundo natural e está completamente conectado à ele e é compreensível em termos dessas conexões.

A visão naturalista de nós mesmos com certeza é muito diferente de compreensões religiosas ou sobrenaturais e tem implicações profundas. Nós não temos almas que continuam depois da morte. Ao invés disso, somos criaturas totalmente físicas, totalmente causadas a ser o que somos. Nós não temos livre arbítrio no sentido de conseguir escolher ou decidir sem ser completamente causado em nossas escolhas e decisões. No lugar disso, como indivíduos somos parte de um desdobramento natural do universo em toda sua incrível complexidade.

Entendendo como somos totalmente causados e vendo exatamente como somos causados (por nosso dote genético, formação e ambientes sociais), nós melhoramos dramaticamente nossos poderes de predição e controle, tanto em nossas vidas pessoais como na arena social maior. O naturalismo foca nossa atenção no que funciona, aumentando nossa eficácia e encorajando políticas sociais progressivas baseadas em ciência em áreas como justiça criminal, desigualdade social, saúde comportamental e o ambiente. Também, já que vemos que não somos os originadores insuperáveis de nós mesmos e de nosso comportamento, não podemos tomar crédito ou culpa pelo que fazemos. Isso reduz honradez não devida, superioridade moral, orgulho, vergonha e culpa. E já que vemos outros como totalmente causados – nos tornamos menos culpadores, punitivos e mais compassivos e compreensivos. Pessoas não criam a si mesmas, então responsabilidade por seu caráter e comportamento não é em última instância deles, mas distribuída sobre os muitos fatores que os criaram. E, afinal de contas, nos dadas suas condições ambientais e genéticas, nós nos tornaríamos o que eles são e agido assim como eles agiram: assim a não ser pelas circunstâncias eu vou. Esse discernimento provê a base para a ética naturalista de empatia e compaixão que guia comportamento pessoal e firma políticas sociais efetivas.

Como mencionado acima, naturalismo tem como premissa usar a ciência como nossa maneira de conhecer o mundo, não tradição, intuição, textos sagrados e pronunciamentos. Por iluminar as conexões causais entre os fenômenos, a ciência inevitavelmente unifica o que ela descobre em um todo único, natural e multifacetado. Se nós levarmos ciência a sério quanto a nós mesmos e nosso comportamento, nós somos levados à conclusão que seres humanos estão totalmente incluídos no mundo natural e que somos criaturas completamente físicas. Mais e mais, biologia e neurociências nos mostram que o cérebro e o corpo fazem tudo que a alma supostamente deveria fazer. Até consciência e capacidades de alto nível para racionalidade e escolha são processos totalmente encarnados e causais.

Alguns podem concluir disso que naturalismo reduz seres humanos a meros mecanismos, meros autômatos, mas isso não procede. O que procede é que o universo físico produziu, em nós, organismos maravilhosamente complexos e adaptativos, com a capacidade de auto-reflexão, encantamento, sofrimento e prazer. Longe de mecanizar a humanidade, naturalismo re-encanta o mundo físico mostrando como a consciência e escolha não envolvem processos sobrenaturais. Eles são processos naturais, compreensíveis pela ciência. Surpreendemente, a existência física ela mesma produz todos esses fenômenos intricados lindamente bem.

Reconhecendo nossas origens na evolução, a perspectiva naturalista também melhora nosso sentimento de parentesco com outras espécies com quem dividimos este planeta e nosso desejo de sustentar e cuidar do próprio planeta. Todas as criaturas sensíveis, incluindo a humanidade, devem sua existência à condições que se estendem muito além de nós no espaço e no tempo. Vendo isso, nos achamos complemetamente em casa no universo, participantes maduros na ordem natural que se desdobra. [1]

Referências
[1] Introducing Naturalism. Website do Center for Naturalism. Tradução: Alexandre Schulter

O que é Ateísmo?

É um conceito muito mal-entendido. Sam Harris é um cara que admiro muito e ele consegue explicar o termo e algumas de suas motivações de uma forma bem, digamos, dramática:

Em algum lugar do mundo um homem abduziu uma pequena garotinha. Em breve ele irá estuprá-la, torturá-la e matá-la. Se uma atrocidade desse tipo não está ocorrendo neste exato momento, irá acontecer em poucas horas ou dias no máximo. Tal segurança pode ser tirada de leis estatísticas que governam a vida de 6 bilhões de seres humanos. As mesmas estatísticas também sugerem que os pais dessa garota acreditam neste exato momento que um Deus todo poderoso e amoroso está olhando para eles e sua família. Eles tem o direito de acreditar nisso? É bom que acreditem nisso?

Não.

A totalidade do ateísmo está contido nessa resposta. Ateísmo não é uma filosofia; não é sequer uma visão do mundo; é simplesmente uma recusa em negar o óbvio. Infelizmente, vivemos em um mundo no qual o óbvio é omitido como uma questão de princípio. O óbvio tem de ser observado e re-observado e argumentado a seu favor. Esse é um trabalho ingrato. Ele carrega uma aura de petulância e insensibilidade. É, além do mais, um trabalho que o ateu não quer.

Vale notar que ninguém nunca precisa se identificar como um não-astrólogo ou um não-alquimista. Consequentemente, não temos palavras para pessoas que negam a validade dessas pseudo-disciplinas. Do mesmo modo, ateísmo é um termo que sequer deveria existir. [1]

Para esclarecer melhor a questão, Sam Harris também escreveu uma lista de 10 mitos – e 10 verdades – sobre o assunto:

Várias pesquisas indicam que o termo “ateísmo” tornou-se tão estigmatizado nos EUA que ser ateu virou um total impedimento para uma carreira política (de um jeito que sendo negro, muçulmano ou homossexual não é). De acordo com uma pesquisa recente da revista Newsweek, apenas 37% dos americanos votariam num ateu qualificado para o cargo de presidente.

Ateus geralmente são tidos como intolerantes, imorais, deprimidos, cegos para a beleza da natureza e dogmaticamente fechados para a evidência do sobrenatural.

Até mesmo John Locke, um dos maiores patricarcas do Iluminismo, acreditava que o ateísmo “não deveria ser tolerado” porque, ele disse, “as promessas, os pactos e os juramentos, que são os vínculos da sociedade humana, para um ateu não podem ter segurança ou santidade.”

Isso foi há mais de 300 anos atrás. Mas nos Estados Unidos hoje, pouca coisa parece ter mudado. Impressionantes 87% da população americana alega “nunca ter duvidado” da existência de Deus; menos de 10% se identificam como ateus — e suas reputações parecem estar deteriorando.

Tendo em vista que sabemos que os ateus figuram entre as pessoas mais inteligentes e cientificamente alfabetizadas em qualquer sociedade, é importante derrubarmos os mitos que os previnem de participar mais ativamente do nosso discurso nacional.

1. Ateus acreditam que a vida não tem sentido.

Pelo contrário: são os religiosos que se preocupam freqüentemente com a falta de sentido na vida e imaginam que ela só pode ser redimida pela promessa da felicidade eterna além da vida. Ateus tendem a ser bastante seguros quanto o valor da vida. A vida é imbuída de sentido ao ser vivida de modo real e completo. Nossas relações com aqueles que amamos têm sentido agora; não precisam durar para sempre para tê-lo. Ateus tendem a achar que este medo da insignificância é bem insignificante.

2. Ateus são responsáveis pelos maiores crimes da história da humanidade.

Pessoas de fé geralmente alegam que os crimes de Hitler, Stalin, Mao e Pol Pot foram produtos inevitáveis da descrença. O problema com o fascismo e o comunismo, entretanto, não é que eles eram críticos demais da religião; o problema é que eles eram muito parecidos com religiões. Tais regimes eram dogmáticos ao extremo e geralmente originam cultos a personalidades que são indistinguíveis da adoração religiosa. Auschwitz, o gulag e os campos de extermínio não são exemplos do que acontece quando humanos rejeitam os dogmas religiosos; são exemplos de dogmas políticos, raciais e nacionalistas andando à solta. Nâo houve nenhuma sociedade na história humana que tenha sofrido porque seu povo ficou racional demais.

3. Ateus são dogmáticos.

Judeus, cristãos e muçulmanos afirmam que suas escrituras eram tão prescientes das necessidades humanas que só poderiam ter sido registradas sob orientação de uma divindade onisciente. Um ateu é simplesmente uma pessoa que considerou esta afirmação, leu os livros e descobriu que ela é ridícula. Não é preciso ter fé ou ser dogmático para rejeitar crenças religiosas infundadas. Como disse o historiador Stephen Henry Roberts (1901-71) uma vez: “Afirmo que ambos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que você. Quando você entender por que rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá por que rejeito o seu.”

4. Ateus acham que tudo no universo surgiu por acaso.

Ninguém sabe como ou porquê o universo surgiu. Aliás, não está inteiramente claro se nós podemos falar coerentemente sobre o “começo” ou “criação” do universo, pois essas idéias invocam o conceito de tempo, e estamos falando sobre o surgimento do próprio espaço-tempo.

A noção de que os ateus acreditam que tudo tenha surgido por acaso é também usada como crítica à teoria da evolução darwiniana. Como Richard Dawkins explica em seu maravilhoso livro, “Deus, um delírio,” isto representa uma grande falta de entendimento da teoria evolucionista. Apesar de não sabermos precisamente como os processos químicos da Terra jovem originaram a biologia, sabemos que a diversidade e a complexidade que vemos no mundo vivo não é um produto do mero acaso. Evolução é a combinação de mutações aleatórias e da seleção natural. Darwin chegou ao termo “seleção natural” em analogia ao termo “seleção artificial” usadas por criadores de gado. Em ambos os casos, seleção demonstra um efeito altamente não-aleatório no desenvolvimento de quaisquer espécies.

5. Ateísmo não tem conexão com a ciência.

Apesar de ser possível ser um cientista e ainda acreditar em Deus — alguns cientistas parecem conseguir isto — não há dúvida alguma de que um envolvimento com o pensamento científico tende a corroer, e não a sustentar, a fé. Tomando a população americana como exemplo: A maioria das pesquisas mostram que cerca de 90% do público geral acredita em um Deus pessoal; entretanto 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências não acreditam. Isto sugere que há poucos modos de pensamento menos apropriados para a fé religiosa do que a ciência.

6. Ateus são arrogantes.

Quando os cientistas não sabem alguma coisa — como porque o universo veio a existir ou como a primeira molécula auto-replicante se formou — eles admitem. Na ciência, fingir saber coisas que não se sabe é uma falha muito grave. Mas isso é o sangue vital da religião. Uma das ironias monumentais do discurso religioso pode ser encontrado com freqüência em como as pessoas de fé se vangloriam sobre sua humildade, enquanto alegam saber de fatos sobre cosmologia, química e biologia que nenhum cientista conhece. Quando consideram questões sobre a natureza do cosmos, ateus tendem a buscar suas opiniões na ciência. Isso não é arrogância. É honestidade intelectual.

7. Ateus são fechados para a experiência espiritual.

Nada impede um ateu de experimentar o amor, o êxtase, o arrebatamento e o temor; ateus podem valorizar estas experiências e buscá-las regularmente. O que os ateus não tendem a fazer são afirmações injustificadas (e injustificáveis) sobre a natureza da realidade com base em tais experiências. Nâo há dúvida de alguns cristãos mudaram suas vidas para melhor ao ler a Bíblia e rezar para Jesus. O que isso prova? Que certas disciplinas de atenção e códigos de conduta podem ter um efeito profundo na mente humana. Tais experiências provam que Jesus é o único salvador da humanidade? Nem mesmo remotamente — porque hindús, budistas, muçulmanos e até mesmo ateus vivenciam experiências similares regularmente.

Nâo há, na verdade, um único cristão na Terra que possa estar certo de que Jesus sequer usava uma barba, muito menos de que ele nasceu de uma virgem ou ressuscitou dos mortos. Este não é o tipo de alegação que experiências espirituais possam provar.

8. Ateus acreditam que não há nada além da vida e do conhecimento humano.

Ateus são livres para admitir os limites do conhecimento humano de uma maneira que nem os religiosos podem. É óbvio que nós não entendemos completamente o universo; mas é ainda mais óbvio que nem a Bíblia e nem o Corão demonstram o melhor conhecimento dele. Nós não sabemos se há vida complexa em algum outro lugar do cosmos, mas pode haver. E se há, tais seres podem ter desenvolvidos um conhecimento das leis naturais que vastamente excedem o nosso. Ateus podem livremente imaginar tais possibilidades. Eles também podem admitir que se extraterrestres brilhantes existirem, o conteúdo da Bíblia e do Corão lhes serão menos impressionante para eles do que são para os humanos ateus.

Do ponto de vista ateu, as religiões do mundo trivializam completamente a real beleza e imensidão do universo. Não é preciso aceitar nada com base em provas insuficientes para fazer tal observação.

9. Ateus ignoram o fato de que as religiões são extremamente benéficas para a sociedade.

Aqueles que enfatizam os bons efeitos da religião nunca parecem perceber que tais efeitos falham em demonstrar a verdade de qualquer doutrina religiosa. É por isso que temos termos como “wishful thinking” e “auto-enganação.” Há uma profunda diferença entre uma ilusão consoladora e a verdade.

De qualquer maneira, os bons efeitos da religião podem ser certamente questionados. Na maioria das vezes, parece que as religiões dão péssimos motivos para se agir bem, quando temos bons motivos atualmente disponíveis. Pergunte a sí mesmo: o que é mais moral? Ajudar os pobres por se preocupar com seus sofrimentos, ou ajudá-los porque você acha que o criador do universo quer que você o faça e o recompensará por fazê-lo ou o punirá por não fazê-lo?

10. Ateísmo não fornece nenhuma base para a moralidade.

Se uma pessoa ainda não entendeu que a crueldade é errada, não descobrirá isso lendo a Bíblia ou o Corão — já que esses livros transbordam de celebrações da crueldade, tanto humana quanto divina. Não tiramos nossa moralidade da religião. Decidimos o que é bom recorrendo a intuições morais que são (a certo ponto) embutidas em nós e refinadas por milhares de anos de reflexão sobre as causas e possibilidades da felicidade humana.

Nós fizemos um progresso moral considerável ao longo dos anos, e não fizemos esse progresso lendo a Bíblia ou o Corão mais de perto. Ambos os livros aceitam a prática de escravidão — e ainda assim seres humanos civilizados agora reconhecem que escravidão é uma abominação. Tudo o que há de bom nas escrituras — como a regra de ouro por exemplo — podem ser apreciadas por seu valor ético, sem a crença de que ela nos tenha sido passada pelo criador do universo.

Referências
[1] Sam Harris. An Atheist Manifesto. Tradução: Alexandre Schulter ([1])
[2] Sam Harris. 10 myths – and 10 truths – about atheism. Tradução: Alenônimo ([2], retirado de Ateus Do Brasil)

O que é Secularismo?

Direto da Wikipedia [1]:

Secularismo é geralmente a asserção que certas práticas ou instituições deveriam existir separadamente de religião ou crença religiosa. Alternativamente, é o princípio de promover idéias ou valores seculares tanto nos âmbitos públicos como privados. Pode ser um sinônimo do “movimento secularista”. No extremo, é uma ideologia que mantém que religião não tem lugar na vida pública.

De uma maneira, secularismo pode defender a liberdade de religião, e liberdade da imposição do governo de uma religião sobre o povo, em um estado que é neutro em assuntos de crença, e dá a nenhum estado privilégios ou subsídios a religião. De outra maneira, se refere à uma crença de que atividades e decisões humanas, especialmente as políticas, deveriam ser baseadas em evidência e fato ao invés de influência religiosa.

Os propósitos e argumentos em favor do secularismo variam bastante. No laicismo europeu, foi argumentado que secularismo é um movimento em direção à modernização e distanciamento de valores religiosos tradicionais. Esse tipo de secularismo, em nível social ou filosófico, frequentemente ocorreu enquanto a igreja oficial do estado ou outro suporte do estado à religião era mantido.

(…)

Em termos políticos, secularismo é um movimento rumo à separação entre religião e governo (geralmente chamado de separação entre estado e igreja). Isso pode se referir à redução das ligações entre um governo e a religião do estado, substituindo leis baseadas em escrituras (tais como os Dez Mandamentos ou a Lei Sharia) com leis civis e eliminando discriminação com base em religião. É dito que isso adiciona à democracia porque protege os direitos das minorias religiosas.

Secularismo é frequentemente associado à Era do Iluminismo na Europa e tomou grande papel na sociedade ocidental.

(…)

Secularismo não necessariamente se iguala à ateísmo; muitos secularistas são religiosos, enquanto que ateístas geralmente aceitam a influência da religião no governo e na sociedade.

(…)

Proponentes do secularismo tem há muito tempo argumentado que a ascenção geral do secularismo (…) e o correspondente declínio da religião em estados seculares é o inevitável resultado da Era do Iluminismo, quando as pessoas se voltam à ciência e o racionalismo e se distanciam da religião e superstição.

Oponentes argumentam que um governo secular cria mais problemas que resolve e que um governo com caráter religioso (ou ao menos não secular) é melhor. Alguns oponentes Cristãos disputam que um estado Cristão pode dar mais liberdade de religião que um secular.

Referências

[1] Secularism. Website da Wikipedia. Tradução: Alexandre Schulter.

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