A idéia de ir para a Bolívia surgiu do Odimar que comentou com o Carlos sobre um amigo que tinha ido uns anos antes pra lá e fez a descida de bicicleta de uma tal de Estrada Mais Perigosa do Mundo. A idéia acabou chegando em mim e outros, e um mês depois estava eu, o Odimar e o Carlos indo para a Bolívia.
Não sei como, mas a passagem de ida de volta de Florianópolis/Brasil e Santa Cruz/Bolívia pela Gol estava ridiculamente barata: R$ 650. Também, por nossas pesquisas, concluímos que viajar no país seria MUITO barato. A moeda boliviana – chamada de Boliviano, ou “liviano” – é bem desvalorizada em relação ao Real. Na época com 1 real comprava-se 4,5 bolivianos. Com uns 5 bolivianos dava pra fazer uma refeição boa, com 8 bolivianos dava para atravessar o centro de La Paz de táxi, só para ter uma idéia… Agora imagine como é barato para um Europeu viajar por lá. Encontramos vários deles.

A mochila tem que dar para 23 dias, não pode faltar nada e também não pode ficar muito pesada
A ida de avião foi assim: Florianópolis -> Campo Grande -> Santa Cruz. Chegamos em Santa Cruz tarde da noite e tudo bem, olhamos o aeroporto, nada muito estranho, simples mas decente. Nada de errado com esse país, pensamos, nada muito pior que o moderníssimo Brasil. Aí fomos pegar o “táxi” para o centro da cidade. Oh vida, tinham ali uns 3, parecia que saíram do ferro velho. Negociamos com um deles (obviamente não existe taxímetro) a bagatela de 15 bolivianos (R$ 3,50) para nos levar até o Albergue Jodanga, no centro de Santa Cruz. O carro era uma banheira velha com rodas, velocímetro não funcionava, limpador de vidros não funcionava – e estava chovendo! – o volante era do lado direito e tinha sido adaptado no porta-luvas, porque originalmente ficava do lado direito. Também nessa viagem do medo fomos apresentados ao cheiro boliviano. O taxista fedia igual um porco de chiqueiro fechado. Muito raramente alguém lá toma banho. Papel higiênico também é algo fora do comum. Foram poucos os banheiros na Bolívia que achei sabonete pra lavar as mãos.

Odimar, Alexandre, Carlos
Chegando depois da meia-noite no Jodanga, estávamos preocupados se haveriam vagas e se estaríamos encomodando chegando tão tarde. Acabou que tinha vaga e estavam todos acordados, estava tendo uma festinha. O albergue era altos maneiro: sinuca, piscina, internet, sala de vídeo, churrasqueira, área de serviço, serviço pra guardar malas. A diária era em torno de R$ 10. Na confraternização comentamos com o pessoal nossos planos para a viagem, o qual primeiramente era ir de Santa Cruz a Uyuni, para fazer um tour de 3-4 dias no deserto de sal. Um camarada dos EUA nos deu uma ótima idéia, ao invés de começar o tour em Uyuni e voltar para Uyuni no 4o dia, fazer o tour em 3 dias e terminar no Deserto do Atacama no Chile, e de lá voltar pra Bolivia cortando o norte do Chile e evitando as horríveis “rodovias” bolivianas. Foi o que fizemos.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos na rodoviária de Santa Cruz tentar comprar nossa passagem para Uyuni. O ônibus saía de tarde, por volta das 17:00. Mas como tudo na Bolívia funciona errado, o atraso na saída foi de 3 horas. Na verdade não existe ônibus direto, primeiro iríamos para Sucre, depois Potosi e daí finalmente Uyuni. Saímos as 20:00 de sexta-feira e chegamos à 01:00 de domingo em Uyuni. Total de 29 horas pelas piores estradas imagináveis.

Jodanga Hostel

Café da manhã no Jodanga

Nas ruas de Santa Cruz de la Sierra

Os bolivianos em geral são muito estragados, mas as crianças são sempre bonitinhas

Caminhada até a rodoviária pra pegar nosso busão

3 horas esperando por causa do atraso

Chegou nosso transporte de 1a classe, mas peraí, por quê os pneus tem cravos tão grandes?

Obviamente são vendidas mais passagens que lugares. E reza pro camarada em pé do seu lado ter limpado a bunda quando foi no banheiro.

Se der sorte o rio não está alto e não precisa esperar baixar. Ponte que é bom, nada.

10 minutos pra comer o troço e voltar correndo pro busão

Opa, desvia da pedra

Tinha estepe, ufa!

Cachorro vira-lata eu não vi, mas porco de rua eu vi!

O visual compensa o perrengue
Em Uyuni quando saímos do ônibus já veio guias de turismo oferencendo o tour no deserto. Tinham vários jipes ali estacionados para demonstração. Como estávamos de saco cheio da viagem contratamos a primeira empresa que vimos pela frente. O tour de 3 dias, com toda alimentação, guia e pernoite em dormitórios no deserto saiu por 75 dólares. Nada mal. Só que o jipe era o mais fudido de todos, o guia era meio burrão e a companhia era a pior possível – 3 lésbicas antipáticas e sujismundas da Suécia.
O Salar de Uyuni e o Deserto do Atacama ficam em uma altura de 4000 metros. Por isso o tour foi meio sofrido, na verdade fiquei os 3 dias sem dormir por causa do mal da altitude. Em todo caso isso a gente abstrai e o lugar é o que fica na memória. O Salar de Uyuni parece outro planeta, não parece a Terra. Lá foi onde vi o céu estrelado mais impressionante da minha vida. Por causa da poluição luminosa, as pessoas nas cidades estão impedidas de ver as estrelas. Outra coisa curiosa é a baixíssima umidade relativa do ar. Usando uma camiseta de poliéster para dormir, a eletricidade estática que acumulava era tão grande que clarões verdes de descargas iluminavam a minha cama quando eu me mexia na cama em um dos alojamentos. Só não era mais surreal que o céu.

La Maquina

Los Aventureros

Primeiro destino do tour - cemitério de trens

Linha de trem desativada que chega em Uyuni

El Salar de Uyuni - isso tudo aí é sal

Depois dessa foto minha câmera pifou, a luminosidade era tão forte que deve ter danificado o sensor do obturador

Isla de Inca Huasi, uma ilha de cactus no meio de um mar de sal

Bandeira boliviana

Futebol no sal, isso sim é bizarro

Água acumulada de chuva, algo que aparece só algumas vezes no verão

Alpaca brasileira

Alpacas bolivianas

Um dos alojamentos - detalhe para a janela da cozinha (à direita)

Colchão ortopédico

Tentamos subir um morro que tinha do lado de um dos alojamentos

Não conseguimos subir, detalhe para os olhos do Odimar, mal da altitude pegando forte

Laguna Colorada, acho que a água não era potável

Pausa para o almoço

Carlos fazendo graça, vulcão ao fundo

Árvore de Pedra

Deserto do Atacama - oficialmente o lugar mais seco do mundo, até o carro precisa de pausa pra tomar água

Isso aí cura qualquer mal-estar

Laguna Verde

Laguna Verde - parece capa de CD de metal
O jipe nos deixou na fronteira com da Bolivia com o Chile, onde pegamos uma van que nos levava até a cidade de San Pedro de Atacama, já no Chile.